Ah! A Rachel

Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza em 17 de novembro de 1910, foi uma grande poetisa, romancista, jornalista, dramaturga, cronista e escritora.

Mas o principal, foi uma pioneira no mundo feminino:

primeira mulher Autora a ingressar na Academia Brasileira de Letras.

primeira mulher galardoada com o Prêmio Camões e a ingressar na Academia Cearense de Letras 

Clara sincera, desde cedo envolvida politicamente em causas sociais, por conta disso foi presa e teve seus livros queimados.

Detentora de inúmeros prêmios, teve uma enorme produção escrita em toda sua vida.

Verdadeira desbravadora, não se considerava feminista, apenas dizia que as mulheres deveriam ter oportunidades de evoluir assim como aos homens.

Rachel era simplesmente ela, transparente e vivida.

Deixo aqui uma poesia para lembrá-la e homenageá-la.

Geometria dos Ventos – Rachel de Quei´róz

“Eis que temos aqui a Poesia,
a grande Poesia.
Que não oferece signos
nem linguagem específica, não respeita
sequer os limites do idioma. Ela flui, como um rio.
como o sangue nas artérias,
tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.
E ao mesmo tempo tão elaborada –
feito uma flor na sua perfeição minuciosa,
um cristal que se arranca da terra
já dentro da geometria impecável
da sua lapidação.
Onde se conta uma história,
onde se vive um delírio; onde a condição humana exacerba,
até à fronteira da loucura,
junto com Vincent e os seus girassóis de fogo,
à sombra de Eva Braun, envolta no mistério ao
mesmo tempo
fácil e insolúvel da sua tragédia.
Sim, é o encontro com a Poesia.”

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Um novo dia

viniciu

Hoje, Vinícius de Moraes faria 100 anos. Deixo aqui uma poesia como homenagem.

“Um novo dia vem nascendo
Um novo sol já vai raiar
Parece a vida, rompendo em luz
E que nos convida a amar

Oh, meu irmão, não desespera
Espera a luz acontecer
Para que a vida renasça em paz
Nesse novo amanhecer

Surgem as abelhas em zoeira a sugar o mel das flores gentis
Param as ovelhas pelo monte, a recordar os horizontes felizes
Vindo à distância cantam galos em longínquos intervalos de sons
Pombos revoando, vão uivando, vão passando nestes céus tão azuis

Ah, quanta cor e luz!

E o movimento vai crescendo
Vai aumentando em amplidão
Parece a vida pulsar no ar
O bater de um coração

Sobem pregões vindos da praça
Começa o povo a aparecer

Quem quer comprar neste novo dia
A alegria de viver?”